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José G. Martins

O recente cancelamento dos registros de alguns inibidores seletivos da COX-2 traz novamente à pauta a questão da farmacovigilância.

Os que acompanham as publicações científicas da área já sabiam de estudos demonstrando, ou pelo menos levantando, a possibilidade de que tal classe de medicamentos estaria associada a Reações Adversas a Medicamentos graves, e até mesmo fatais.

A pergunta que se ouve é:

- Por que os órgãos reguladores, no nosso caso a ANVISA, “demoram tanto tempo para agir?”

Não é nosso propósito discutir os mecanismos, prazos e regulamentos da ANVISA. A provocação não é perguntar o que a ANVISA deveria fazer, ou quão rapidamente deveria agir.

O questionamento que devemos fazer é:

- O que nós, farmacêuticos, os profissionais do medicamento, fizemos ou estamos fazendo para colaborar com a sua ação?

Quem de nós tomou a iniciativa de conversar com seus clientes/pacientes usuários dessa classe de medicamentos para saber sobre as possíveis RAM associadas ao seu uso?

Quantos de nós farmacêuticos notificamos tais ocorrências?

Antes de criticar a ação do outro, ou falta dela, não será mais sensato procurar o que eu posso fazer?

O sistema de notificações voluntárias da ANVISA, o NOTIVISA recebe, analisa e subsidia ações concretas de farmacovigilância. Mas para que o sistema funcione, deve ser alimentado. Sendo a farmácia o estabelecimento de saúde mais próximo e mais acessível ao consumidor final do medicamento, então é ali que podem ser detectados os problemas relacionados aos medicamentos e demais produtos para a saúde.

A atuação do profissional consciente vai além de manter o “corpo presente” no estabelecimento. O bom profissional deve (em todos os campos) explorar todas as possibilidades de valorizar a sua profissão e ser reconhecido por seu trabalho.

Cadastrar a Farmácia ou Drogaria no programa Farmácia Notificadora da ANVISA é o primeiro passo na adesão à rede Sentinela, formada por hospitais e farmácias que detectam as RAM e Queixas Técnicas de produtos para a saúde.

Ao fazer isso, todos saem ganhando:

A sociedade, que poderá contar com essa ação vigilante sobre o uso de medicamentos;

O farmacêutico, que se sentirá participante e atuante nesse processo, de cuidar da saúde dos seus clientes, e de colaborar para o uso de medicamentos mais seguros;

O estabelecimento ou instituição, que demonstrará a sua preocupação com a coletividade, como parte da sua responsabilidade social, marcando a sua posição perante o segmento como um Estabelecimento de Saúde;

A saúde como um todo, pois um sistema eficiente pode detectar precocemente problemas associados ao uso de novos medicamentos, diminuindo os custos e perdas com o tratamento das RAM, sejam eles pagos pelo SUS ou pelo próprio usuário.

José Geraldo Martins - Assessor técnico farmacêutico
     
   
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